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12/1/2009 Vida PassageiraUma inegável realidade de nossa existência é a passagem do tempo.
Quando folheamos os álbuns da vida, vemos fotos de nossa infância e nos
deliciamos com os acontecimentos passados na nossa jornada da vida.
Tantos momentos felizes. O abraço carinhoso dos pais. A família reunida
nas efemérides. O dia do nosso enlace matrimonial, o nascimento dos
filhos e dos netos. Oh! meu Deus! Quantas coisas boas já vivenciamos. É
verdade também que momentos amargos fizeram parte da nossa cesta básica
da vida. É assim mesmo. Alimento sem sal é sem graça e sem sabor. Deus
sabe o que precisamos para o nosso crescimento. São os desafios, as
dificuldades e as lutas que nos fazem crescer em direção aos altiplanos
celestiais. Cada dificuldade que a vida nos oferece é uma alavanca para
o nosso crescimento.
Ao lançar nosso olhar para o nosso passado, tomamos consciência do
quanto nossa vida é passageira. Oxalá meditemos por essa mesma razão,
duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de
fazer os outros felizes. Esse é o caminho e a direção que oportunamente
o futuro nos mostrará no filme da vida, como um jardim florido pelos
nossos atos de amor, de justiça e de caridade. Nada de se colher as
flores cedo demais. Sabemos que há sementes que nunca brotam e outras
que vivem a vida inteira sem despertar para a realidade do espírito, e
pétala por pétala, vividas na consciência do sono, são entregues ao
vento. É verdade que não somos adivinhos e nem predestinados, para
conhecer o futuro de nossas vidas; nem mesmo sabemos se teremos tempo
para florir e enfeitar o Éden de nossa viagem pelo planeta Terra.
Exatamente por não sabermos a duração de nossa viagem pelo planeta de
provas e expiações é que nós descuidamos dos nossos compromissos com a
vida, com o reto proceder, com a família e com a religiosidade.
Esquecemo-nos das lições do Divino Jardineiro: Orai e Vigiai. Cuidamos
pouco de nosso espírito e da lei que o Homem de Nazaré nos trouxe em
nome do imenso amor que Ele nos dedica: a Lei de Amor, de Justiça e de
Caridade. Insisto: descuidamos de nós e dos outros; deixamo-nos
entristecer por coisas pequenas e contrariedades do dia a dia, perdendo
minutos, horas, meses e anos preciosos em relação aos compromissos
assumidos na pátria espiritual.
E assim é que nos calamos quando deveríamos falar; falamos demais
quando deveríamos silenciar. Não abraçamos a esposa, os filhos e os
amigos como anela nossa alma com sofreguidão, porque algo em nós impede
essa aproximação. O ósculo como Jesus fazia então nem pensar. Dizemos
para nos justificar: “não estamos acostumados com isso”. Mais ainda:
não dizemos que gostamos de alguém porque achamos que o outro sabe
automaticamente o que sentimos. Mesmo que ele saiba, é bom e faz bem à
alma recordar o nosso amor ao próximo. Quando sentir em seu espírito
que deseja externar esse sentimento de amor, pela palavra articulada ou
por um gesto de carinho, um abraço ou um beijo, não o reprima. Diga a
sua esposa, ao seu filho, ao seu amigo: Eu te amo.
Estamos convictos por conhecer de cátedra essa postura, que nessa
ensancha se perceberá o brilho da luz que se acende nos olhos do ente
querido. Não raras vezes, esse brilho se fará acompanhar de lágrimas
que lavam a alma e purificam o espírito em nome da excelência do amor
que o Cristo de Deus nos trouxe para ser vivenciado em Seu nome e do
Pai Celestial. Não nos permitamos que a noite nos entregue nos braços
de Morfeu e o dia renasçamos nas mãos de Cronos para continuarmos as
mesmas criaturas fechadas em nós mesmos, eternamente reclamando nada
ter, ou achando que o que temos não nos basta.
Não por outra razão estamos sempre cobrando, implacavelmente,
procedimentos e graças dos outros, da vida e de nós mesmos. Já nos
acostumamos a comparar nossas vidas com as daqueles que possuem mais do
que a gente. Olvidamos que aquele que se compara se exalta ou se
diminui perante a vida e a Divindade. Cada ser tem o seu próprio valor
e é um ser personalíssimo. Basta confiar no Senhor da Vida. Ele sabe o
que faz. Por isso Ele é Onipotente, Onisciente e Onipresente.
É com esse sentido que o tempo passa e muitos de nós acabamos passando
pela vida sem vivê-la em plenitude. Sobrevivemos porque nos falta a
religiosidade e não sabemos fazer outra coisa se não reclamar.
Chegará, todavia, para todos os filhos da Consciência Cósmica,
indistintamente, o momento em que acordaremos e olharemos para trás e
nos questionaremos: E agora? Agora amigos, hoje, ainda é tempo de
reconstruir nossas vidas, na fraternidade e no amor que nos trouxe o
Divino Galileu. O amor não tem nem hora nem tempo, é sempre oportuno
dar o abraço amigo, dizer uma palavra carinhosa, agradecer pelo que
temos: a saúde, o corpo perfeito, a família, as provas e os desaires da
vida, ferramentas de crescimento para os filhos da Providência Divina
alcançarem os páramos celestiais.
De fato, nunca se é velho ou jovem demais para se amar, dizer uma
palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso. Por essa razão, não olhe
para trás. O que passou, passou. Foram aulas preciosas para a nossa
elevação espiritual. Agora é hora de olhar para frente. Ainda é tempo
de apreciar as flores que estão inteiras ao nosso redor. Ainda é tempo
de voltar-se para Deus e agradecer pela vida que, mesmo passageira nas
existências terrenas, ainda está em nossas mãos pelo exercício do
livre-arbítrio; fazê-la bela, colorida e consentida, pois somos sempre
eternos. Não se esqueça que o ontem é passado, o amanhã a Deus
pertence, mas o hoje, como o conhecemos na conjugação dos verbos é o
tempo presente. Presente que o Sentimento Divino nos concede para que
possamos implantar a reforma íntima de que carecem nossos espíritos em
direção às estrelas.
Afiance-se por isso que, conhecendo o fato de que quando chegar o
momento de nossa grande viagem, único fatalismo que existe neste
planeta de Deus, levaremos na nossa bagagem apenas a edificação do bem.
Estejamos preparados, alegres, felizes e com a alma repleta do perfume
de Jesus, para quando chegarmos aos esplendores celestes nosso traje
seja de pureza como carta de alforria para haurir as bênçãos do Senhor
da Vida.
Jaime Facioli
Jornal O CLARIM
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